A Methodology for Translation - Vinay e Darbelnet

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VINAY, Jean-Paul; DARBELNET, Jean. A Methodology for Translation. Trans. By Juan C. Sager e M.-J. Hamel. In: VENUTI, Lawrence (Ed.) The Translation Studies Reader. London/New York: Routledge, 2000, p. 84-93.

Em The Translation Studies Reader, Lawrence Venuti reúne, cronologicamente, alguns dos textos fundamentais para os Estudos da Tradução. Desde o famoso "A tarefa do tradutor", de Walter Benjamin, do período entre 1900 e 1930 a alguns dos principais artigos da década de 1990. Entre a apresentação dos textos relevantes das décadas de 1940 e 1950, Lawrence Venuti destaca que o texto de Vinay e Darbelnet é o “trabalho mais influente dos estudos da tradução da época”. Publicado originalmente em 1958, os autores, ambos linguistas canadenses, abordam a tradução entre os idiomas francês e inglês com base na estilística comparativa e, segundo Venuti, proporcionando a “base teórica para diversos métodos de tradução atualmente em uso”.

Ao enfatizar os aspectos práticos de uma metodologia da tradução, Venuti assinala que os autores produziram um texto fundamental para o ensino da tradução, que tem sido adotado em cursos de tradução há mais de quarenta anos. Desde seus primórdios, boa parte das discussões teóricas sobre tradução circulam em torno das questões sobre a possibilidade ou impossibilidade da tradução e sobre o lugar da significação no processo tradutório. Em vez de se aprofundar nesses debates, Vinay e Darbelnet procuraram tipificar os fenômenos do próprio processo usando uma série de exemplos práticos para ilustrar sua metodologia.

Vinay e Darbelnet iniciam o texto afirmando que embora “os métodos ou procedimentos” de tradução “pareçam incontáveis”, eles podem “ser reduzidos a apenas sete”, numa graduação de complexidade. Esses sete, por sua vez, são separados em dois grupos aos quais chamaram de traduções diretas e traduções oblíquas. As traduções diretas, como o nome diz, são aquelas em que é possível uma equivalência direta entre as duas línguas, seja por paralelismo estrutural, conceitual ou de elementos. As traduções oblíquas são aquelas em que, devido às diferenças estruturais ou metalinguísticas, a tradução não segue paralelamente o original, ou seja, emprega estruturas, ou mesmo escolhas lexicais não encontradas no original.

É interessante observar que, ao denominar os sete elementos de sua tipologia, Vinay e Darbelnet não falam em categorias, classes, ou mesmo tipos, mas sim em “procedimentos”. O interesse deles, portanto, não é o de simplesmente fazer uma classificação ou descrição dos tipos de tradução, mas sim demonstrar como a tradução acontece estilística ou tecnicamente no nível do texto. Se os procedimentos propostos por eles dão conta de toda a fenomenologia tradutória é uma outra questão, certamente relevante, mas os sete procedimentos parecem abarcar amplamente aspectos muito objetivos e cotidianos da tradução. Em linhas gerais, são os seguintes:

Traduções diretas

  1. Empréstimo, que nada mais é do que usar na língua de chegada um termo ou expressão tomado de empréstimo da língua de partida, sem qualquer alteração.
  2. Decalque, uma forma de empréstimo em que um termo ou expressão consagrados na língua de partida é traduzido literalmente na língua de chegada, na qual, com o tempo, pode vir a se consagrar e ser incorporado, ou então permanecer marcado por sua origem estrangeira.
  3. Literal é a tradução em que a língua de chegada adota, servilmente,as estruturas gramaticais e o léxico correspondente da língua de partida. Só é possível entre idiomas que possuam afinidades semântica, morfológicas e sintáticas de algum tipo.
    Traduções oblíquas:
  4. Transposição é o processo pelo qual a tradução promove modificações em termos de classe gramatical de uma língua para outra. A questão aqui é que essa modificação seja feita para se manter adequada a enunciação ou preservar alguma nuance estilística.
  5. Modulação é uma modificação no ponto de vista no texto traduzido em relação ao original. Ocorre por razões estilísticas ou por adequação sintática à língua de chegada.
  6. Equivalência ocorre quando não há semelhança ou aproximação possível entre as duas línguas e o texto de chegada. Aplica-se a expressões ou termos consagrados com forte identificação cultural da língua de partida e o tradutor precisa encontrar algum termo ou expressão que, de alguma forma, seja equivalente em termos culturais na língua de chegada.
  7. Adaptação ocorre em situações em que não há equivalência possível entre as duas línguas e não é possível adotar nenhum dos procedimentos anteriores. Pode ser considerado uma equivalência, em certa medida, pela necessidade de o tradutor encontrar alguma solução que faça sentido na língua de chegada, sendo que qualquer literalidade em relação à língua de partida resultaria numa tradução sem sentido.

Embora bastante esquemático, os procedimentos descritos por Vinay e Darbelnet refletem diversos aspectos reais da tradução. Os autores ressaltam que mais de um procedimento pode ocorrer concomitantemente numa mesma frase, ou mesmo expressão, o que dificultaria a identificação do método adotado e eu diria que implicaria também numa complexidade crescente para o trabalho do tradutor. Conforme mencionado, é possível questionar a tipologia proposta à luz de outras abordagens teóricas. Questiona-se hoje em dia noções de equivalência exata entre as línguas, tanto em termos morfossintáticos, quanto semânticos. Todavia, o que levou esse texto a se tornar relevante foi seu pioneirismo em se aproximar metodologicamente da tradução, para além dos aspectos teóricos, indicando assim uma abordagem original voltada principalmente para a formação de tradutores.