Escola de tradutores

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Referência[edit | edit source]

RÓNAI, Paulo. Escola de tradutores. 6. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

Introdução[edit | edit source]

O livro é composto por diversos artigos sobre a tradução, abordando seus mais diversos aspectos. A primeira edição, de 1952, tinha sete artigos; nesta sexta são 21, além de um apêndice no qual são analisadas três versões do poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade, para o inglês, francês e alemão. Importante estudioso da tradução, Paulo Rónai ilustra abundantemente suas afirmações com exemplos tirados de seu profundo conhecimento linguístico.

Capítulos[edit | edit source]

Traduzir o intraduzível[edit | edit source]

Outrora, sem maior reflexão, julgava-se que todos os textos literários fossem traduzíveis. Modernamente, temos uma teoria oposta, que afirma serem todos os textos literários essencialmente intraduzíveis pela própria natureza da linguagem. Os defensores dessa ideia apontam, com razão, que cada palavra só tem significação dentro de um contexto, ou seja, dentro de uma frase ou trecho em que se encontra, compreensível somente por sua relação com um conjunto de outras frases lidas e ouvidas anteriormente. Assim sendo, as palavras, ou mesmo frases, quando traduzidas, ficariam arrancadas do contexto de sua língua fonte. (p. 13) Além disso, o próprio pensamento é condicionado pelo idioma, ou seja, certas ideias só podem surgir na consciência de falantes de determinado idioma. Existe, portanto, uma relação intrínseca entre o pensamento e seu meio de expressão. (p. 14-16) Teoricamente, as maiores dificuldades para a tradução seriam as holófrases, conceitos que só têm designação num certo idioma. Nesses casos, entretanto, o tradutor nem precisa tentar a tradução; pode manter o termo primitivo, utilizando grifos, aspas e notas de pé de página. Ou seja, pelo menos na tradução em prosa, não são as palavras “intraduzíveis” que mais atrapalham o tradutor, mas as “traduzíveis”, pois as mais simples delas podem esconder armadilhas. (p. 16-17) Nesses casos, os dicionários bilíngues, mesmo os melhores, ajudam a compreensão, mas dificilmente apontam soluções para o tradutor. Mesmo contendo modismos e suas correspondências, essas equivalências são condicionais e devem ser usadas com desconfiança. Além disso, não se deve confundir modismos e imagens cristalizadas da língua, que devem ser substituídas por equivalentes ou explicadas, e imagens individuais, inventadas pelo autor, que devem ser conservadas. (p. 17-18) Quanto à questão da impossibilidade da tradução literária, o autor a admite dialeticamente, para daí inferir, gloriosamente, que a tradução é uma arte: “O objetivo de toda arte não é algo impossível? O poeta exprime (ou quer exprimir) o inexprimível, o pintor reproduz o irreproduzível, o estatuário fixa o infixável. Não é surpreendente, pois, que o tradutor se empenhe em traduzir o intraduzível.” (p. 14)

Tradução literal e efeitos de estilo[edit | edit source]

Geralmente se pensa que a tradução, para ser fiel, deve ser literal, e que qualquer tradução não-literal é livre. Acredita-se que a fidelidade refere-se apenas ao idioma do qual se traduz. O tradutor, entretanto, deve igual fidelidade, senão maior, para com o idioma para o qual traduz. (p. 20-22) Como não existem equivalências absolutas entre duas línguas, mesmo cognatas, palavras, expressões ou frases frequentemente podem ser traduzidas de duas formas, ou mais, sem que se possa dizer qual é a melhor. Não há, portanto, uma tradução ideal para determinado texto. (p. 23-24)

Traduções indiretas[edit | edit source]

Este capítulo aborda as chamadas traduções indiretas, ou seja, aquelas feitas por meio de uma terceira língua. (p. 25-29)

Escola de tradutores[edit | edit source]

Neste artigo, o autor aborda a questão da profissionalização do ofício de tradutor e a exigência de diploma para seu exercício. As informações podem ser um pouco datadas, sendo esta edição de 1987. Rónai também discute como um tradutor desejoso de se aperfeiçoar pode montar um “curso” de tradução para si mesmo, indicando várias leituras importantes (p. 33-35) Alguns comentários que Rónai faz ao longo do artigo contêm bons conselhos e merecem ser mencionados. Recomenda, por exemplo, procurar conhecer quanto possível outras obras do autor, algum estudo sobre ele, sua biografia, personalidade, ideias gerais e “o que os historiadores da literatura e os críticos revelaram sobre as suas intenções, a sua técnica, a sua ‘fortuna literária’”. Quando necessário, aconselha ainda a pesquisa de “documentação acerca do assunto, das personagens, quando reais, da época e do ambiente do livro”. (p. 34) (Cumpre lembrar que atualmente, com o advento da Internet como meio cotidiano de comunicação e informação, todas essas pesquisas se tornaram muito mais fáceis de serem realizadas do que quando este artigo foi escrito.) O autor também acrescenta que “o bom tradutor será um homem lido e culto, com sólida cultura geral”. (p. 34) Para suprir a escassez de obras especializadas sobre a tradução, nem sempre acessíveis, Rónai aconselha alguns exercícios além da própria prática tradutória: ler com atenção traduções alheias; escolher de vez em quando uma tradução para cotejar linha por linha com o original; utilizar traduções malfeitas para aproveitar suas lições negativas como alerta para o que não se deve fazer; utilizar a tradução estrangeira de algum bom livro brasileiro para observar os rodeios da língua portuguesa sem tradução em outras línguas, de modo a não abrir mão deles, ainda que um texto estrangeiro nunca os possa provocar. (p. 35-36)

A arte de traduzir[edit | edit source]

Neste artigo, o autor comenta o livro A arte de traduzir, de Brenno Silveira, ressaltando-lhe várias qualidades e apontando ao final algumas “leves restrições”. No capítulo, Rónai faz uma interessante divisão dos tradutores em três espécies: os maus, os medíocres e os bons:

Os da primeira categoria são aqueles que julgam saber traduzir só por entenderem (Deus sabe como) um romance escrito em francês ou inglês. Trabalham sem dicionários e sem escrúpulos ditando a tradução a uma datilógrafa sem sequer revê-la depois (a tradução, não a datilógrafa), e entregam o trabalho em tempo recorde. (...) Os profissionais da segunda categoria conhecem bem melhor a língua do original, mas não têm noção exata dos limites do próprio conhecimento. Em último recurso admitem a consulta ao dicionário, mas não desconfiam das armadilhas escondidas às vezes no texto mais fácil e aparentemente inócuo. (...) Quanto à terceira categoria, compreende não aqueles que nunca incidiram em tais erros, pois deles ninguém está livre, mas aqueles que, depois de terem corados ao descobrir alguns deles em suas primeiras traduções, tomam todo o cuidado para não reincidir. (p. 40-42)

Das poucas restrições feitas por Rónai ao livro de Brenno Silveira, destaca-se a crítica ao fato de que este afirma só existirem duas espécies de tradução, a literal e a livre, pronunciando-se completamente a favor da primeira. Brenno Silveira afirma que não se deve traduzir apenas as ideias do autor, mas também suas palavras. Paulo Rónai lembra que as palavras do autor não são sempre apenas dele, mas são próprias da sua língua. “O que fazemos então”, sugere ele, acrescentando em seguida exemplos de casos do tipo, “é traduzir não as palavras, mas a ideia do autor, procurando reproduzir-lhe naturalmente com toda a exatidão possível os ingredientes lógicos e sentimentais.” (p. 44-45)

As lindas infiéis[edit | edit source]

Aqui Rónai comenta o livro Les Belles Infidèles, de Georges Mounin, no qual é discutido esse método de adaptação comum no século XVII na França, além de algumas questões frequentes sobre tradução, como “será possível traduzir?” e “como traduzir?”. (p. 47-52) Embora não reproduza as reflexões de Mounin em seu artigo, limitando-se a descrever o livro, Rónai assinala como um dos “reparos mais sagazes” do autor a sua descoberta da traductionite, curiosa doença que atinge muitos tradutores e que consiste em

descrer da força expressiva da própria língua e atribuir expressividade demasiada ao idioma vertido. Ora, muitas vezes o emprego de uma imagem nova, nunca antes usada no idioma ‘vertente’, produziria efeito feliz. Por outro lado, atravanca-se frequentemente a tradução com notas relativas à expressividade de locuções do original, mesmo quando estas nada mais evocam para o autor por serem petrificadas, esvaziadas de conteúdo emocional. (p. 50)

O papel do tradutor[edit | edit source]

Neste capítulo, o autor comenta um livro do austríaco Julius Wirl, cujo título, em alemão, equivale mais ou menos, segundo o próprio Rónai, a “Bases Teóricas da Problemática da Arte de Interpretar e da de Traduzir”. Nesse livro, nas palavras de Rónai, “o autor não se propõe facilitar a tarefa de tradutores e intérpretes por meio de conselhos práticos, e sim esclarecer as noções da interpretação e da tradução, encaradas do ponto de vista mais amplo do intercâmbio intelectual”. Para Wirl, o que acontece na comunicação entre duas pessoas que falam o mesmo idioma são duas operações “tradutivas”: o falante traduz seus pensamentos em linguagem e o ouvinte traduz a mensagem em ideias para absorvê-la. O que geralmente chamamos de tradução, portanto, seria uma substituição da primeira tradução por um equivalente noutra língua para permitir a segunda tradução. Para Wirl, as características essenciais dessa atividade mediadora seriam a proibição para o mediador de expressar seus pensamentos e a delimitação de suas funções pela língua para a qual traduz e pelo texto a ser traduzido. (p. 53-54) Rónai mostra que no entender de Wirl o processo mental da tradução exige que o tradutor se substitua ao emissor da mensagem original e, para fazê-lo com toda a eficiência, deveria reproduzir por completo a vivência deste. Daí aparecem razões insuperáveis de imperfeição. Se, no entanto, tantas traduções são realizadas, e não raro com bons resultados, é pela existência de situações e expressões estereotipadas em todos os povos e línguas, o que favorece a “aquisição de uma rotina e de um automatismo”. (p. 54-55) Existiria uma única tradução ótima para um texto? Para tratar dessa questão, abordada por Wirl, chega-se à necessidade de indagar se a comunicação bilíngue, com suas muitas dificuldades, necessariamente prejudica o entendimento. A compreensão entre duas pessoas que falam o mesmo idioma pode ser perturbada devido às insuficiências de expressão da linguagem em geral, da língua usada ou, mais ainda, dos interlocutores. Um intermediário, quase sempre dotado de uma capacidade expressiva maior que a dos interlocutores, não apenas não aumentará os riscos de incompreensão como pode corrigir imperfeições da mensagem ou adaptá-la à capacidade compreensiva do destinatário. É aí que “seu papel transcende o de simples intermediário, e onde aparecem implicações morais da sua função”. (p. 55-56) O ensaísta austríaco também faz uma tentativa de classificar os textos, conteúdos ou mensagens originais. Divide-os primeiramente em textos contínuos e não-contínuos (listas de palavras, catálogos, etc.); depois separa os primeiros em específicos (que deixam a mesma impressão em todos os receptores, sendo, via de regra, perfeitamente traduzíveis) e não-específicos (que seriam os textos literários). Estes últimos exigem do tradutor, além de habilidades linguísticas e estudos especializados, um certo talento poético, e para eles não existe uma só tradução ótima. O tratadista austríaco ainda enuncia uma razão inversa entre a traduzibilidade e a inseparabilidade do conteúdo e da forma do texto. (p. 56-57) No último capítulo, Wirl fala da tradução poética, impossível teoricamente, mas existente e muitas vezes muito bem-sucedidas. Aqui entram em jogo a congenialidade do tradutor, sua capacidade de despersonalização e as diferenças estruturais dos dois idiomas. Enfim, esse é o único tipo de tradução em que o principal requisito não é o conhecimento linguístico. (p. 57) Só nesse último capítulo o tratadista discute algumas soluções práticas. Rónai, apesar de afirmar que o austríaco “acertadamente enuncia que não convém procurar equivalentes, para textos dialetais, nas variantes dialetais do idioma receptor”, não explica tal asserção. Já uma outra observação, que ressalta a importância, ao verter um poema, de acertar o tom logo nos primeiros versos, Rónai comprova com relatos de sua experiência pessoal na tradução de poetas latinos para o húngaro. E, para finalizar, conclui o capítulo comentando que “as ponderações do ensaísta austríaco, se não chegam a fornecer auxílio prático aos especialistas do ofício, ajudam-nos a melhor conceituá-lo, e, destarte, podem constituir os prolegômenos de qualquer curso de tradutores”. (p. 57-58)

Conveniência e inconveniências da tradução[edit | edit source]

Neste capítulo é analisado um livro de Walter Widmer, cujo título pode ser traduzido aproximativamente por “Conveniência e inconveniências da tradução”. Rónai faz a seguinte comparação:

O livro de Julius Wirl, examinado há pouco, pode ser encarado como uma sistemática da arte de traduzir. O de Walter Widmer (...) equivale à ‘moral em ação’ dessa mesma arte.(...) A finalidade do seu estudo é nitidamente polêmica: mostrar por que a maioria das traduções que entulham o mercado de livros alemão não merecem tal nome. (p. 59)

O livro de Widmer fala da queda no nível das traduções na Alemanha devido a fatores editoriais como a falta de uma programação de real interesse cultural, na preferência dada ao novo, ao sensacional, ao best-seller, na influência excessiva do fator publicitário, na enorme queda na qualidade. Enfim, o livro, publicado em 1959, fala do panorama da tradução na Alemanha, o qual se parecia muito com o nosso (talvez até os dias de hoje). (p. 59-61)

A tradução no mundo moderno[edit | edit source]

Esse é o título de um livro de Edmond Cary lançado em 1956 na Suíça. Começa-se pela tradução literária. Cary assinala a oscilação entre dois pólos: o respeito ao original e a tentação de adaptar a mensagem o máximo possível ao ambiente do tradutor. No concernente à tradução poética, mais especificamente, suas dificuldades aproximam-se da própria essência da criação poética. (p. 67-68) No campo da tradução teatral (e radiofônica), o melhor segundo Cary é a adaptação, para atender à necessidade de agilidade do gênero. As traduções cinematográficas, por sua vez, têm exigências próprias, especialmente a sincronia da versão com o original, tanto na dublagem como na legendagem. A tradução de notícias para a imprensa é limitada, mais que pelo original, pelas reações do público ao qual se dirige, enquanto a tradução técnica, livre de preocupações estéticas, é limitada pelo sentido exato dos termos técnicos e suas equivalências. O tradutor publicitário, mais do que qualquer outra consideração, deve ter o intuito de “promoção”. (p. 68-69)

As ciladas da tradução técnica[edit | edit source]

Neste artigo, Rónai discute a tradução técnica, comentando o livro La Traduction Scientifique et Technique, de Jean Maillot. Com exemplos adaptados do livro de Maillot, Rónai aponta as dificuldades da tradução técnica (p. 75): - polissemia de alguns termos científicos (p. 76); - sinonímias que a linguagem técnica, por mais que queira, não consegue eliminar (p. 76); - variantes nacionais nas línguas faladas em mais de um país (p. 76); - existência de termos semelhantes (isolation e isolement no francês e Isolation e Isolierung no alemão) (p. 77); - expressões metafóricas usadas na terminologia técnica (p. 77); - homônimos e parônimos na língua do original, aos quais não correspondem homônimos e parônimos na língua da tradução (p. 77); - termos mais internacionais que não recobrem o mesmo campo semântico em diferentes línguas (p. 77).

Além das dificuldades da terminologia técnica, Rónai lembra que para fazer um trabalho satisfatório o tradutor deve saber usar eficientemente os termos não-técnicos: verbos, pronomes, conjunções e preposições (p. 77-79) Outro aspecto considerado “é a divergência entre as instituições dos diversos países em decorrência da evolução histórica”. (p. 79) Quanto aos instrumentos de trabalho, é recomendado cautela com os dicionários bilíngues comuns, e até mesmo técnicos, e a posse de uma documentação técnica composta de obras de consulta gerais, enciclopédias, monografias, bulas, catálogos de fabricantes (desde que escritos na língua deles). Tal documentação, diferente para cada tradutor, deve ser mantida sempre atualizada. (p. 79-80)

Confidências de tradutores[edit | edit source]

Rónai comenta advertências, prefácios, preâmbulos e notas de tradutor, nos quais aparecem confidências ao público, confissões de fracassos, queixas das dificuldades do oficio etc. (p. 82-89)

Pascal para brasileiros[edit | edit source]

Este capítulo é uma apreciação da tradução de Sérgio Milliet dos Pensamentos de Blaise Pascal, lançada pela Difusão Europeia do Livro (DIFEL) em 1957 como primeiro volume da coleção “Clássicos Garnier”. Rónai elogia a tradução, confrontando-a com uma anterior, e apresenta alguns reparos à preparação do volume, “que talvez possam ser levados em consideração pelos editores nos volumes sucessivos”. (p. 90-95)

Laclos quatro vezes, para quê?[edit | edit source]

Este capítulo apresenta uma crítica de quatro traduções, publicadas num período relativamente curto, do livro Les Liaisons Dangereuses, de Choderlos de Laclos. Rónai comenta esse insólito interesse dos editores brasileiros por uma obra clássica, aponta falhas das edições e compara trechos das quatro traduções, finalizando o artigo com uma sugestão de que a coexistência de tantas traduções “poderia ser explorada em trabalhos de comparação do mais alto interesse nos cursos de tradução, já existentes em número razoável em nossas faculdades de letras”. (p. 96-105)

O tradutor traduzido[edit | edit source]

Aqui é contada a história da tradução de obras de Edgar Allan Poe por Charles Baudelaire, e da tradução dos Poemas em Prosa de Baudelaire, empreendida por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Rónai compara e elogia o trabalho dos dois tradutores, exaltando o empenho de ambos em produzir uma boa tradução e o “respeito como que religioso ao texto original, como se algo importante dependesse da versão exata de cada nuança da reprodução de todos os valores emocionais”. (p. 106-111)

Um intérprete de Camões[edit | edit source]

Neste capítulo Rónai fala de Gyula Greguss, tradutor que verteu Os Lusíadas para o húngaro no século XIX. Segundo Rónai, essa tradução é um exemplo do “encontro milagroso de um grande original com um grande tradutor”. (p. 112-117)

Alexander Ille Lenardus[edit | edit source]

O capítulo é sobre um amigo de Rónai, Dr. Alexandre Lénárd, médico húngaro estabelecido no Brasil que, tendo por hobby o estudo de idiomas e a arte de traduzir, realizou a proeza de traduzir para o latim o livro infantil inglês Winnie-the-Pooh, de A. A. Milne. A versão Winnie ille Pu, contrariando qualquer expectativa, alcançou um assombroso êxito editorial na Europa e nos Estados Unidos, consagrando Lénárd no exterior. (p. 118-128)

A desforra do latim[edit | edit source]

Depois do sucesso da versão latina de Winnie-the-Pooh, vários outros livros infanto-juvenis começaram a ser vertidos para o latim, fato relatado com entusiasmo por Rónai neste capítulo. (p. 129-133)

Andanças e experiências de um tradutor técnico[edit | edit source]

Neste capítulo, Rónai relata sua experiência pessoal como tradutor técnico na Hungria, contando vários trabalhos que executou nessa função. O autor fala da “ilusão errada de que havia um idioma francês, um italiano, um latino e assim por diante”, e a “insuficiência absoluta de todos os dicionários bilíngües”, pois cada profissão, cada ramo da atividade humana tem seu jargão próprio, o qual é necessário aprender para não desagradar o cliente, em geral pertencente à “maçante raça dos especialistas”. Assim, como não há dicionário no mundo que registre em duas línguas tal variedade, o autor conta que começou a colecionar catálogos, folhetos de propaganda, anúncios, os quais, segundo ele, foram muito úteis mais tarde, “não somente na versão de textos técnicos e comerciais, mas também na de obras exclusivamente literárias”. (p. 134-137) Lição também importante presente neste capítulo é que mais importante que querer aprender o maior número possível de palavras de uma língua é “saber onde procurar a terminologia de cada assunto”. Além disso, apresenta um estímulo ao tradutor no seguinte trecho: “Tornou-se um princípio meu nunca recusar nenhum trabalho porque fosse difícil: se outro podia executá-lo, eu também havia de dar um jeito.” (p. 136-138)

A máquina de traduzir / Um pioneiro da tradução mecânica no Brasil[edit | edit source]

Nestes dois capítulos é discutido o assunto da tradução automática, ou seja, a “máquina de traduzir”, objeto de muitas pesquisas após a Segunda Guerra Mundial, devido a um aumento significativo na demanda por traduções técnicas. (p. 140-152) Atualmente diversos programas de tradução automática foram desenvolvidos e estão sendo utilizados como ferramentas de trabalho pelos próprios tradutores.

A tradução mais difícil[edit | edit source]

Aqui temos uma narrativa pessoal da vida de tradutor de Rónai. Este capítulo é um discurso pronunciado no jantar organizado pela Associação Brasileira de Tradutores em 27 de abril de 1981, por ocasião da outorga do Prêmio Internacional de Tradução C. B. Nathhorst ao autor. Nele Rónai conta um episódio comovente ocorrido em 1943, quando foi obrigado a traduzir para a Censura o conteúdo de uma carta que revelava a morte de seu pai na Europa. (p. 153-158)

Apêndice: José, o poliglota[edit | edit source]

Neste apêndice são comparadas e comentadas as versões do poema “José” para o alemão, o francês e o inglês. (p. 159-165)